Havia a fé. Mas ele jogou-a no lixo. Não queria mais crenças nem dúvidas. Só existiria com absoluta certeza tudo aquilo que ele pudesse tocar.
Formou-se em 82. Em 88 já era doutor, e fundamentado em bases sólidas, construíra todo o repertório de crenças à sua volta como bem entendera. Não havia lugar para o abstrato, exceto se houvesse qualquer relação com física quântica.
Comprou seu apartamento, no Septuagésimo Sétimo andar de um ótimo edifício no centro da cidade.
A cidade cinza.
Decorou a morada com tudo aquilo que lhe trazia paz, e assim sentiu-se feliz.
Comprou centenas de livros (odiava ler pelo computador), escritos dos maiores pensadores do mundo, começando pela Bíblia (seu livro de ficção preferido) até O Universo
Colecionava filmes. Ergueu um acervo de clássicos do cinema de dar inveja a qualquer pessoa. Ele adorava assistir seus filmes, em silêncio, nas noites cinzas da cidade.
Com seu dinheiro, comprou dezenas de itens para decorar seu apartamento de 10 milhões de dólares. E apesar de solitário, as mais belas prostitutas já haviam passado ao menos uma noite ao seu lado na cama.
Mas nada do que possuía, nenhuma das crenças sólidas na ciência em que se baseara, nem sua Mercedes último tipo, e nem seu acervo de livros de homens filósofos, cientistas, pensadores, poetas, nada disso, nenhuma das bases que o solidificavam nesta terra como um homem lúcido faziam-no entender os malditos sonhos que vinha tendo a meses.